sábado, 16 de abril de 2011

BANDA LIBERTHY: com originalidade e qualidade musical, nasce uma das grandes bandas de rock in roll da região

A entrevista, marcada para às oito horas da noite de uma sexta-feira fria, seria mais uma como tantas outras se não fosse o ar de descontração. Mas não uma simples euforia de bate papo entre amigos. O que chamou mesmo a atenção, foi o fato de estar diante de um grupo de jovens disciplinados e cheios de sonhos. Com um misto de diversão e seriedade, os integrantes da banda de rock Liberthy – antiga Meteoro, mostrou que é possível em uma cidade do interior, com uma diversidade musical intensa, fazer esse estilo de som despertar a atenção de muitos.
Keu, Robson, Léo e Jean: banda Liberthy


Reportagem: Alysson Ribeiro

A banda Liberthy nasceu há quase dois anos atrás, em plena estação de verão. Com uma bateria velha e emprestada por um amigo, mas com muita disciplina e esforço nascia a então conhecida Meteoro, nome dado por conta de uma apresentação de última hora que a banda faria, e num curto espaço de tempo, sob pressão de arrumar logo um nome, foi que ao assistirem a um vídeo clip na MTV, observaram que havia esse nome inscrito numa caixa de som amplificada. “Vi aquele manuscrito com uma fonte bem interessante, me chamando a atenção”, frisou o baterista Jean, ao relatar que a partir desse instante, atribuiria ao grupo o nome de Meteoro.
Somente no ano passado, o estilo musical mudou bastante. Variou de punk a emo. Passado essa fase, já com o nome de Liberthy, a banda assumiu a identidade com um som mais pesado. O título do grupo, traz a idéia de liberdade em vários aspectos: na música, na vida, na forma de expressão. “Nossas composições trazem letras fortes, que falam das desigualdades sociais e as mazelas do mundo, mas são entoadas com muita melodia. Certamente isso faz com que tenhamos a possibilidade de conquistar cada vez um público maior”, avaliou Keu Aragão, guitarrista.
Embora cada componente goste de um estilo de rock diferenciado, assumir um som mais intenso, mais metal, representa uma evolução musical muito forte para o grupo, pois estabeleceu a sua atual identidade e é exatamente assim que vem conquistando a cada dia novos fãs. O público está se identificando muito mais com esse som, do que aquele mais leve do começo. Isso prova que muitas pessoas estão desmistificando esse estilo musical, como era no passado, impiedosamente rotulado de algo obscuro e extremo-radical. “Em nossos shows freqüentam pessoas da faixa etária juvenil até a adulta”, ressaltou o cantor e guitarrista Léo.
Nas composições próprias, as letras remetem à reflexão de coisas simples do cotidiano, como o desejo pela liberdade plena de expressão e uma sociedade cada vez mais justa e igualitária.

DIFICULDADES – Jovens, cheios de sonhos e disciplina, os quatro integrantes do grupo – Léo, Jean, Keu e Robson – nem imaginavam que os obstáculos iam além da falta de instrumentos para ensaiar. Certa vez, convidados pela direção de um colégio da cidade para encerrar um evento, foram surpreendidos no meio da apresentação com os alunos todos saindo para arrumarem a escola e deixando-os tocando praticamente sozinhos, embora alguns estudantes assistiam o show por uma janela de vidro. Porém, esses poucos que sobraram na platéia, foram suficiente pra empolgar o grupo que continuou tocando. Quase chegaram a dissolver a idéia de terem uma banda, mas foi o cantor e compositor de reggae e forró Xan Falcão, quem os estimulou a prosseguir. Por este conselheiro, eles demonstram grande admiração. Em outra época, também numa apresentação escolar, tocaram com um som de péssima qualidade, que além de muita microfonia, os deixaram na mão. Foi nesse momento que o vocalista resolveu pedir ao público que cantasse com banda. Todos cantaram. Provavelmente esse tenha sido um dos momentos mais marcantes, pois ali, em plena dificuldade, os espectadores correspondiam e emocionava cada um dos músicos. Ali nascia a banda de rock in roll mais carismática da cidade. Hoje, para divulgar ainda mais o seu trabalho, os integrantes da Liberthy estão fazendo shows com outras bandas com estilos diversificados, proporcionando a eles se apresentarem para públicos com variadas preferências musicais. Mesmo com as dificuldades iniciais deixadas para trás, com todos os instrumentos próprios e um local para ensaios adequado, os músicos mantém o quilíbrio e demonstram que estão amadurecendo cada vez mais e sabem que tem muita estrada a percorrer. Mas sem dúvida alguma, com esse pensamento de compor e tocar canções com alto teor de qualidade e responsabilidade social, o sucesso não só chegará para eles, mas também garantirão o espaço de gente grande nessa arte cultural envolvente que é a música genuinamente extraída das cordas da guitarra. Salve o rock. Salve toda essa completa liberdade que só artistas assim sabem representar tão bem.