terça-feira, 6 de setembro de 2016

Quase oito meses após o blackout que atingiu as comunidades rurais de Dique e Várzea Nova, moradores ainda convivem com os prejuízos após passarem 7 dias sem energia elétrica.

Bares tiveram que ser fechados, alimentos tiveram que serem jogados fora e equipamentos eletrônicos foram danificados por completo. Este foi o balanço herdado pelos moradores que, no mês de janeiro deste ano, conviveram com a escuridão, a insegurança e prejuízos financeiros causados por falhas no sistema elétrico da região.

“Energia sempre falha por aqui” - A dona de casa Janete Bento Bela, de 49 anos é proprietária de um pequeno bar na comunidade de Várzea Nova, em Santo Estevão. O blackout que aconteceu do dia 22 a 29 de janeiro, deixou uma lista de prejuízos que até hoje ela tenta contabilizar. Após o retorno da energia, a alta voltagem danificou aparelhos como TV, freezer, geladeira e computador. “Foi uma semana de terror. A gente via nossos objetos sendo danificados. No meu bar perdi os alimentos no freezer. Os ladrões aproveitaram as noites de escuridão e levaram toda a minha criação de frangos”, relatou. “De lá pra cá não consegui ainda me recuperar dos prejuízos e para minha surpresa, o valor da conta de energia dobrou após o ocorrido”. Janete está movendo um processo na justiça contra a Coelba, empresa responsável pelo sistema elétrico na Bahia, para tentar recuperar os prejuízos. “Aqui em nossa região a energia sempre falha e só ouço mais relatos de prejuízos”, disse.

O lavrador Valdo Dias Bela, de 44 anos disse que o problema ocorre com frequência na região. “Sempre há queda de energia por aqui e a Coelba não informa nada; é como se a gente nem existisse. Imagine você não poder carregar nem seu celular, não poder assistir uma TV. Você se sente isolado”, contou.

No sentido oposto daquela comunidade estão os morados da comunidade Dique, que também foram afetados pela queda de energia. 

“Tive prejuízos de mais de R$ 5 mil” - Na casa do aposentado Dário Antonio Silva Barbosa, de 68 anos a situação não é diferente de dona Janete. Com o problema elétrico na região, o aposentado acumula cerca de R$ 5 mil em prejuízos. “Dois computadores daqui de casa queimaram as placas. Ele era usado para fazer nossos trabalhos escolares”, contou a filha do aposentado. Dário também conta que após o reestabelecimento da energia, a conta saltou de R$ 40 para R$ 148. “Meus filhos ficaram meses sem fazer seus trabalhos escolares e quando a conta chegou a gente teve mais uma surpresa”, desabafou.

Problema ocorre com frequência em todo o município - Na última terça (30), o bairro da Urbis ficou 12 horas sem energia elétrica. “Tenho um tio idoso que precisa de nebulização e tivemos que levar ele para passar aquela noite no hospital, pois em casa, sem energia elétrica, nada funcionava”, revelou. “Não suportamos mais, não é justo você pagar por um produto que chega para você cheio de deficiências. Temos problema com água e energia, mesmo sendo produtos indispensáveis”, desabafou a moradora Rosângela Costa da Paixão, de 59 anos.

A operária Deliana Pereira Gomes ficou em desespero quando percebeu, de uma só vez que a TV, micro-ondas e um aparelho de som queimara com a falha do sistema elétrico. “Você luta para comprar seus eletrodomésticos, paga um valor alto pela conta de energia e simplesmente ver tudo sendo danificado da noite para o dia. É no mínimo revoltante”, contou.

Sem resposta da Coelba – Consumidores alegam que toda vez que entram em contato com a Coelba relatando falta de energia, nunca conseguem respostas satisfatórias. “Quando aqui ficou sem energia elétrica por uma semana, as respostas dos atendentes eram sempre mecânicas: ‘Equipes estão no local e o sistema elétrico será restabelecido’, mas não é isso que vivemos na realidade. A equipe passa horas ou até dias para chegar e quando temos prejuízos eles nem nos ouvem”, contou a dona de casa Janete Bela. De acordo com os consumidores afetados não houve nenhum aviso prévio de manutenção na rede, o que por lei é obrigatório. Em nenhum dos casos, os consumidores que sofreram com o blackout não tiveram conhecimento com antecedência. 

Por telefone, nossa reportagem entrou em contato com a Coelba, mas até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.